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PIB recua 1,6% e mostra Brasil em recessão
 
Fonte: Site Invertia
Link original: http://br.invertia.com/noticias/noticia.asp?idNoticia=200308281234_INV_27302342
Autor: Reuters Investor e Investnews - Gazeta Mercantil
Data: 28/08/03
 

O PIB (Produto Interno Bruto, a soma de riquezas produzidas pelo Brasil) apresentou, no segundo trimestre deste ano, retração de 1,6% em relação aos primeiros três meses de 2003. Como este é o segundo trimestre consecutivo de recuo da economia, o País está, tecnicamente, em recessão (período de declínio na taxa de crescimento econômico).

O resultado do primeiro trimestre foi revisado de uma queda de 0,1% para contração de 0,6%, informou o IBGE na manhã desta quinta-feira. De acordo com os números divulgados, também houve encolhimento do PIB de 1,4% no segundo trimestre de 2003 contra o segundo trimestre de 2002.

A indústria puxou a queda em relação ao primeiro trimestre, com recuo de 3,7%, seguida pela agropecuária, com queda de 1,2% e serviço (o carro-chefe da economia, com cerca de 60% de peso no PIB) com recuo de 0,3%. Até mesmo a agropecuária, que vem resistindo à recessão, encolheu 1,2% de abril a junho, considerando ajustes sazonais. Mas na comparação com o segundo trimestre de 2002, somente a agropecuária apresentou resultado positivo, com crescimento de 3,2%, enquanto a indústria recuou 3,6% e o setor de serviços ficou estável.

O consumo das famílias brasileiras registrou a maior queda da história. Houve recuo de 4,7% na demanda dos brasileiros por bens e serviços no primeiro semestre do governo Lula.

O resultado do segundo trimestre ficou bastante abaixo das projeções de analistas ouvidos em pesquisa Reuters. A previsão média era de que o PIB apresentasse contração de 0,68% em relação aos primeiros meses do ano, enquanto a mediana das projeções apontavam para uma contração de 0,53%. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, as estimativas apontavam para um crescimento de 0,6%.

Crescimento para 2004 - A primeira proposta de Orçamento do governo Luiz Inácio Lula da Silva projeta um crescimento da economia de 3,5% em 2004, em comparação a uma expansão de 1,8% este ano.

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão divulgou nota afirmando que o País já dá sinais de recuperação e saiu em defesa das políticas monetária e fiscal adotadas pelo governo. Segundo o ministério, o governo "foi obrigado a implementar" políticas contracionistas para conter a inflação." A maioria dos economistas também está otimista e acredita em uma recuperação no segundo semestre.

Retração faz arrecadação de impostos encolher

Os Impostos sobre Produtos recuaram 4,1% no segundo trimestre em comparação ao mesmo período de 2002. De acordo com o IBGE, os setores mais tributados responderam pela queda. "O declínio reflete o comportamento dos setores sobre os quais há maior incidência de impostos", analisa o IBGE.

Consumo das famílias brasileiras tem a maior queda da história
O consumo das famílias brasileiras registrou a maior queda da história. O Instituto Brasileiro de Gegrafia e Estatística (IBGE) mostra recuo de 4,7% na demanda dos brasileiros por bens e serviços no primeiro semestre do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
As compras das famílias respondem por cerca de 56% do Produto Interno Bruto (PIB). Os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, também continuam em queda. Nos seis primeiros meses de 2003, o IBGE apurou investimentos 5,4% menores do que no primeiro semestre do ano passado.

O aumento do consumo do governo, de 0,3%, por sua vez, ficou bem longe de compensar a queda da demanda das famílias e dos investimentos, levando o PIB à recessão no segundo trimestre.

Economia brasileira deve apresentar contração no 2º trimestre
Com a forte queda na atividade industrial nos últimos meses, a economia brasileira provavelmente encolheu pelo segundo trimestre consecutivo, de acordo com economistas consultados pela Reuters, fechando o primeiro semestre do ano tecnicamente em recessão.
Mas o pior, segundo os analistas, já deve ter passado e a economia caminha para uma recuperação gradual na segunda metade do ano. Os números do Produto Interno Bruto (PIB) para o período de abril a junho serão divulgados na quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A média das estimativas de 12 economistas ouvidos pela Reuters de um total de 14 aponta para uma queda de 0,68% no segundo trimestre em relação ao primeiro, refletindo o peso das altas taxas de juros sobre a demanda, o que derrubou a produção industrial em junho para o seu patamar mais baixo desde dezembro de 2001.

As projeções variaram de uma queda de 0,1% a 1,4%. A mediana das projeções apontaram para uma contração de 0,53%. Dois analistas não forneceram previsões para o dado dessazonalizado.

Nos primeiros três meses do ano, a economia encolheu 0,1% em relação a último trimestre de 2002 - a recessão é caracterizada por dois trimestres consecutivos de contração econômica.

"O segundo trimestre provavelmente é o fundo do poço", disse Cristiano Oliveira, economista do Banco Schahi, em São Paulo. "E o fraco desempenho da indústria é o principal fator por trás disso."

A produção industrial no segundo trimestre mostrou queda de 2,1 por cento em relação ao mesmo trimestre do ano passado, com declínios significativos nos setores de bens de capital e bens intermediários, como produtos químicos e autopeças, indicando que toda a indústria pôs o pé no freio.

A média das estimativas dos analistas para o segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2002 apontam para um crescimento modesto de 0,6%, após uma expansão de 2% no primeiro trimestre na mesma comparação.

As previsões variaram entre uma queda de 0,4% e um crescimento de 1,4%. Dois analistas fizeram projeções de crescimento zero e um não fez o cálculo.

Otimismo cauteloso

Economistas esperam que a atividade melhore gradualmente até o fim do ano, liderada por uma recuperação do consumo doméstico por causa das vendas do Natal, que geralmente aquecem a economia.

Eles também estão depositando suas fichas em reajustes salariais no segundo semestre, que provavelmente vão oferecer um ganho real para os trabalhadores dado que a inflação está em patamares mais baixos.

O rendimento médio do trabalhador tem caído há vários meses e em julho teve sua maior queda desde outubro de 2001.

Embora as taxas de juros continuem entre as mais altas do mundo, a decisão na semana passada do Banco Central de reduzir a taxa Selic em 2,5 pontos percentuais para 22% ao ano, um corte maior que o esperado, ajuda a melhorar as expectativas de consumidores e dos empresários.

"No terceiro trimestre, já é possível ver uma retomada suave. Os indicadores de julho mostraram que a economia voltou a respirar, mas perspectivas de crescimento mais forte só no último trimestre," afirmou Juan Pedro Jensen, economista da consultoria Tendências.

Analistas também afirmaram que as exportações, que ajudaram a sustentar a economia no primeiro semestre, devem perder fôlego e vão contribuir menos para o crescimento do PIB.

Muitos economistas prevêem que o PIB em 2003 cresça um pouco acima de 1%, depois de ter registrado expansão de apenas 1,52% no ano passado. O Banco Central trabalha com uma faixa entre 1,5%e 1,8%.

Proposta de Orçamento prevê expansão do PIB de 3,5% em 2004
A primeira proposta de Orçamento do governo Luiz Inácio Lula da Silva, apresentada nesta quinta-feira, projeta um crescimento da economia de 3,5 por cento em 2004, em comparação a uma expansão de 1,8 por cento prevista no orçamento para este ano. O PIB estimado para 2004 é de R$ 1,730 trilhão, contra R$ 1,575 trilhão da estimativa para 2003.

As receitas previstas da União somam R$ 402,2 bilhões no próximo ano, cerca de R$ 40 bilhões a mais do que o registrado em 2003, o que equivale a 23,23% do Produto Interno Bruto (PIB). Já as despesas projetadas são de R$ 299,6 bilhões. A receita líquida deve situar-se em R$ 342 bilhões (19,76%) e as despesas em R$ 299,6 (17,31%).

"Estamos otimistas porque a arrecadação poderá aumentar em função do crescimento econômico e talvez possamos fazer mais do que o previsto", comentou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na reunião ministerial que discutiu o orçamento. "O ano que vem vai ser um bom ano", acrescentou o presidente, de acordo com nota divulgada pelo Palácio do Planalto.

De acordo com o documento que está sendo apresentado no ministério, o resultado primário do governo central deve ser de R$ 103,3 bilhões. Quando somado ao déficit de R$ 61,2 bilhões da previdência, o resultado primário do governo central recua para R$ 42,4 bilhões.

"Este orçamento tem a marca do nosso governo" disse o ministro do Planejamento, Guido Mantega, em entrevista coletiva nesta tarde, acrescentando que os números contidos na proposta são realistas.

De acordo com tabelas divulgadas pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o juro básico acumulado no próximo ano será de 15,17%. A taxa está bem próxima dos 15,50% apontados em pesquisa do Banco Central junto ao mercado. Segundo a proposta de Orçamento de 2004, a taxa básica deve acumular 24,03% em 2003.

A proposta, que deve ser entregue ao Congresso nesta tarde prevê ainda que o dólar encerrará o próximo ano a R$ 3,40, depois de fechar 2003 em R$ 3,16. Os dados de juros, câmbio e crescimento são parâmetros utilizados pelo governo para montar a proposta orçamentária.

O Ministério do Planejamento estima também que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2004 será de 5,5%.

Possibilidade real de receitas - O ministro do Planejamento, Guido Mantega, disse que o Orçamento Geral da União para 2004 considera possibilidades reais de receitas. Segundo ele, tais receitas resultam do esforço do governo em reduzir despesas. "Embora fale-se ao contrário, a reforma Tributária será neutra para a arrecadação".

Ministério do Planejamento justifica queda do PIB e vê recuperação à frente
Com informações da Reuters Investor
O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão saiu em defesa das políticas monetária e fiscal adotadas pelo governo no primeiro semestre do ano ao comentar a forte queda da atividade econômica no segundo trimestre do ano. Segundo o ministério, o governo "foi obrigado a implementar" políticas contracionistas para conter a inflação, e que agora o país passa ter condições de se beneficiar da estabilidade e voltar a crescer.

"A firmeza na condução da política econômica resultou em melhorias significativas de todos os fundamentos macroeconômicos, permitindo reversão gradual das políticas contracionistas desde junho último", argumentou o ministério em nota à imprensa divulgada nesta quinta-feira. "Políticas monetária e fiscal mais expansionistas e inflação cadente começam a se fazer sentir pela elevação do poder de compra dos salários e aumento das vendas."

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encolheu 1,6% no segundo trimestre do ano na comparação com o primeiro trimestre, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta quinta-feira. Foi o segundo trimestre consecutivo de queda, o que caracteriza recessão técnica.

Como indícios de que a atividade econômica já está se recuperando o ministério citou, na nota, a redução dos estoques da indústria paulista. "Tais indicadores apontam para a recuperação do nível de atividade a partir do terceiro trimestre e aceleração da produção industrial e das vendas do comércio no último trimestre do ano."

Economistas acreditam em crescimento da economia no segundo semestre
A economia brasileira sofreu retração de 1,6% no segundo trimestre em relação ao primeiro, marcando seu segundo trimestre consecutivo de queda do Produto Interno Bruto (PIB), o que caracteriza uma recessão técnica. Na comparação com igual período do ano passado, o PIB caiu 1,4%.

Para o economista-chefe do IBG, Marcelo Salomon, o resultado foi uma surpresa, mas ele acredita em uma recuperação no segundo semestre. "Foi bem forte, foi uma surpresa... Eu acho que no segundo semestre você vai ter uma recuperação da economia, mais deslocada para o quarto trimestre. Você vai ter uma recuperação, gradativa, da renda... e os juros caindo, o que melhora a expectativa, fazendo com que as pessoas comprem mais do que vinham comprando", afirmou. Para Miriam Tavares, diretora do departamento de câmbio da AGK Corretora, o pior já passou e a tandência é de crescimento, a partir de agora. "A gente enfrentou um período delicado, mas o pior já passou... Eu tinha essa expectativa de um baixo crescimento no primeiro semestre e uma recuperaçao maior no segundo semestre. A gente tem condições de ter um crescimento, não é o espetáculo do crescimento, claro, no último trimestre, se as condições macroeconômicas continuarem como estão, com as reformas andando bem..., a inflação em queda, juros em queda e uma recuperação mais forte da economia norte-americana."

Segundo Mário Mesquita, economista-chefe do ABN AMRO Real, a expectativa do mercado agora ficará em torno da próxima decisão do Copom, em setembro. "A queda é bem mais forte que o esperado, surpreendeu. Isso vai ter dois impactos de curto prazo, que são os mercados de juros mais animados com a perspectiva de um corte mais agudo (de juros) na próxima reunião, e os bancos revisando para baixo suas previsões de PIB para o ano. A gente aqui está prevendo (PIB em 2003 de) 1,4%, mas vamos rever para abaixo de 1%."

"Claramente isso é um reflexo da política monetária fortemente restritiva, acima do necessário. O dados que saíram hoje são bem conflitantes, porque você tem a ata (do Copom) dizendo que a economia não está em recessão, mas o que você tem é um PIB com dois trimestres consecutivos de retração... Passamos da estagnação para a recessão. Os cortes (de juros) têm um efeito retardado, então não vão dar um refresco para a economia. As próximas taxas (de crescimento) vão ser positivas, mas insuficientes para anular essas quedas (no primeiro semestre). A gente prevê para o ano um PIB de 1,2%, mas estamos revisando para baixo, para 1 (por cento)", disse Alexsandro Agostini Barbosa, economista da consultoria Global Invest. Para Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Schahin, o aperto monetário comandado pelo BC não foi exagerado já que a instituição estava buscando o controle da inflação e também credibilidade junto ao mercado. "Existe uma percepção de que o segundo trimestre foi muito ruim, isso pode ser visto na queda das vendas do varejo e da indústria e no desemprego subindo. E isso é efeito colateral da política monetária, que foi apertada. A pergunta é: será que o BC exagerou na dose? Nossa percepção é que não. Ele agiu de maneira correta, para ganhar credibilidade e debelar a inflação", explicou.

Com a diminuição dos juros reais, você começa a ter um início de recuperação no último trimestre do ano, mas a recuperação mesmo é só no ano que vem. Nós vamos revisar nosso número (de PIB no ano) agora. Estamos com 1,6%, mas é mais provável que fique próximo de 1%", completou o economista.

"Acho que é mais um indicativo de que o Copom deve continuar fazendo cortes de juros fortes. Acho que uma aposta de 2 a 3 pontos (de corte) para o Copom de setembro é uma boa aposta. O dado do PIB confirma que há espaço para cortes de juros fortes. A partir já deste trimestre (terceiro), e mais no quarto, a gente vê alguma coisinha de recuperação, em função da queda de juros de médio prazo. É uma recuperação gradual, se acelerando a partir do 4o trimestre," afirmou Vladimir Caramaschi, economista-chefe do Banco Fator.

IBGE discorda que País esteja em recessão
O coordenador de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Roberto Olinto prefere não classificar o desempenho negativo do Produto Interno Bruto (PIB) por dois trimestres consecutivos com recessão.
"É um conceito complexo, de interpretação subjetiva, não é exato e estatístico, que são as bases de trabalho do IBGE".Ainda neste mês, contudo, o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales, reconheceu que o setor estava "tecnicamente em recessão" porque acumulava dois períodos consecutivos de cortes na produção.

Olinto frisa que outras variáveis devem ser levadas em conta para classificar um período de recessivo. Renda, emprego, produção, consumo, por exemplo - todos com desempenhos piores neste ano, como relata o próprio IBGE.


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